O Poder da Motivação em Momentos Difíceis

Quando tudo pesa

A motivação raramente aparece quando a vida está organizada, previsível e leve.
Na verdade, quase nunca é nesses momentos que sentimos necessidade dela.

Ela costuma ser exigida quando tudo pesa. Quando:
O cansaço se acumula.
As respostas não chegam.
A mente corre, mas o corpo pede pausa.

E, ainda assim, seguimos.

Em momentos difíceis, a motivação não surge como empolgação, clareza absoluta ou energia inesgotável. Pelo contrário. Muitas vezes, ela se apresenta de forma silenciosa, quase invisível. Surge como uma escolha simples — e profundamente honesta: não desistir, mesmo sem saber exatamente como continuar.

Enquanto muitos acreditam que motivação é sentir vontade, quem já atravessou fases difíceis sabe que, na prática, ela costuma ser agir apesar da falta de vontade. É acordar sem ânimo, mas levantar. Seguir mesmo com dúvidas. Continuar mesmo sem garantias. Portanto, antes de romantizar a motivação, talvez seja mais honesto reconhecê-la pelo que ela realmente é nos dias difíceis: um compromisso silencioso com a própria continuidade.

Motivação não é constância

Existe um equívoco comum — e perigoso — sobre motivação: acreditar que ela é sempre força, foco e energia alta.
No entanto, a realidade costuma ser outra.

Na prática, motivação é retorno. É cair e levantar, interromper e recomeçar, falhar e, ainda assim permanecer fiel a si mesmo.

Motivação não é estar sempre forte. É não abandonar quem você é quando está fraco.

Além disso, ela nem sempre nasce de dentro. Às vezes, surge do olhar de alguém que enxerga em nós algo que esquecemos. Outras vezes, vem de uma lembrança, de um valor, de uma promessa antiga que se recusa a morrer.

Carl Rogers, psicólogo humanista, dizia que “o curioso paradoxo é que, quando me aceito como sou, então posso mudar”.
Essa frase revela algo essencial: motivação não nasce da cobrança excessiva, mas do respeito próprio. Portanto, tanto a motivação que vem de dentro quanto a que vem de fora são legítimas. Nenhuma é fraca. Ambas são humanas.

Quando a motivação sustenta

A motivação não elimina o sofrimento.
E talvez esse seja um dos seus maiores méritos.

Ela não promete atalhos.
Não oferece vitórias rápidas.
Não anestesia a dor.

Mas impede que o sofrimento nos paralise.

Enquanto a dor tenta nos imobilizar, a motivação nos mantém em movimento — ainda que em passos curtos. Ainda que com pausas. Ainda que com incerteza.

É ela que transforma crise em travessia.
Que impede que o cansaço vire desistência.
Que mantém o corpo avançando quando a mente pede rendição. Por isso, motivação não é sobre intensidade, mas sobre direção. Mesmo que o ritmo seja lento, saber para onde se caminha muda tudo.

Quando a motivação não é força, mas sentido

Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente do Holocausto, deixou uma das reflexões mais profundas sobre motivação ao afirmar:

“As pessoas que conseguiam atravessar o sofrimento não eram, necessariamente, as mais fortes fisicamente, mas aquelas que conseguiam encontrar algum sentido para continuar.”

Essa frase muda completamente a forma como entendemos motivação.

Não se trata de entusiasmo, positividade tóxica ou de ignorar a dor.

Trata-se de significado.

Frankl observou que, mesmo em condições extremas, quem encontrava um motivo — uma pessoa, um valor, uma responsabilidade, uma esperança silenciosa — conseguia seguir mais um dia.

Portanto, em momentos difíceis, talvez não precisemos de mais energia, mas de mais clareza sobre por que seguimos. Às vezes, a motivação não está em vencer, mas em permanecer fiel a algo maior do que a dor do momento. Algo que transcende o agora. Algo que nos ancora quando tudo parece instável.

Os limites da motivação

Ainda assim, é importante dizer: motivação sozinha não resolve tudo.

Ela precisa caminhar junto com ação, disciplina e cuidado. Precisa de limites, descanso e gentileza.

Há dias em que a motivação simplesmente não aparece. E isso não é fracasso. É humano.

Nesses momentos, não se trata de grandes metas, planos ousados ou decisões definitivas. Trata-se apenas do próximo passo possível.

James Clear, autor de Hábitos Atômicos, resume isso com precisão ao dizer que “não subimos ao nível das nossas metas, caímos ao nível dos nossos sistemas”.
Ou seja, quando a motivação falha, o que nos sustenta são pequenos compromissos repetidos. Persistir não é fazer muito.
É não abandonar a si mesmo.

O apoio que fortalece

Existe uma narrativa perigosa de que atravessar dificuldades sozinho é sinal de força. No entanto, isso raramente é verdade.

Ninguém atravessa fases difíceis sozinho — e nunca deveria.

A motivação cresce quando existe escuta, presença e acolhimento. Quando alguém caminha ao lado. Quando alguém pergunta “como você está?” e realmente espera a resposta.

Amigos, família ou até pessoas que vivem desafios semelhantes funcionam como espelhos: nos lembram de quem somos quando a dor tenta nos reduzir ao momento.

Receber ajuda não diminui a força.
Amplia. Como dizia Brené Brown, pesquisadora da vulnerabilidade, “a conexão é o motivo pelo qual estamos aqui; é o que dá propósito e significado às nossas vidas”.
E conexão, muitas vezes, é o combustível silencioso da motivação.

Cultivar motivação no cotidiano

Motivação não é algo que se encontra de uma vez por todas.
É algo que se pratica.

Ela nasce quando respeitamos nossos limites.
Quando celebramos pequenos avanços.
Quando aceitamos que constância não é perfeição.

Além disso, ela cresce quando paramos de nos violentar internamente com comparações injustas. Quando entendemos que cada processo tem seu ritmo. Que cada pessoa carrega batalhas invisíveis.

Às vezes, a maior forma de motivação não é fazer mais, mas seguir com honestidade.

Honestidade sobre o que dói, o que cansa e o que ainda importa.

Neste artigo: 10% Mais Feliz: quando a mente para de gritar, a vida volta a caber dentro, compartilho uma história sobre como estabelecer pequenos rituais pode ajudar você a se sentir mais feliz e motivado.

Quando o propósito sustenta o caminho

Houve um período da minha vida em que entendi, na prática, o que significa seguir em frente mesmo quando tudo parece pesado.

Quando eu estava no Canadá estudando, muita coisa acontecia ao mesmo tempo. Estar sozinho em um país diferente, o choque cultural, a dificuldade com a nova língua, a ansiedade de aprender rápido. Somado, tudo isso se tornava exaustivo — e, muitas vezes, punitivo.

Em vários momentos, eu me perguntava se tinha feito a escolha certa. Se aquele esforço todo realmente valeria a pena. O cansaço não era só físico; era emocional. A sensação constante era de estar sempre atrás, sempre tentando alcançar algo que parecia distante.

Lembrando do porquê

No entanto, o que me ajudou a atravessar esse período não foi acelerar o processo, nem torná-lo mais fácil. Foi algo mais simples — e mais profundo: lembrar do porquê de eu estar ali.

Saber o meu porquê não eliminou as dificuldades, mas deu sentido a elas.

Eu não teria choque cultural se não estivesse em outro país.
Não teria dificuldade de comunicação se não estivesse aprendendo uma nova língua.
Não enfrentaria aquela solidão se não tivesse dado um passo grande na minha vida.

As dificuldades não eram sinais de erro — eram sinais de avanço.

Cada desconforto era consequência de um movimento maior. E, a partir desse entendimento, algo mudou. Em vez de lutar contra o processo, passei a compreendê-lo como parte natural do caminho.

Com o tempo, quando consegui me comunicar melhor, entender as pessoas e me sentir pertencente, tudo fez sentido. O esforço valeu a pena. O cansaço ganhou significado. E um sonho foi realizado. Às vezes, a motivação não vem de tornar o caminho mais leve, mas de compreender por que escolhemos caminhar por ele.

A motivação madura

Existe uma diferença importante entre motivação imatura e motivação madura.

A primeira depende de condições ideais.
A segunda se sustenta mesmo quando as condições não ajudam.

Motivação madura entende que haverá dias bons e dias difíceis. Que haverá avanços e retrocessos. Que haverá vontade e resistência.

Ainda assim, ela permanece.

Ela não exige entusiasmo constante.
Exige compromisso. E talvez seja isso que realmente transforma vidas: não a motivação que empolga, mas a que sustenta.

Conclusão: continuar também é coragem

Momentos difíceis não pedem perfeição.
Pedem presença.

A motivação que transforma vidas não é a que grita, mas a que permanece.
A que sustenta passos curtos.
A que permite cair sem desistir de levantar.

Seguir em frente, mesmo cansado, também é força.
E, muitas vezes, é exatamente isso que nos salva.

Porque continuar — mesmo sem certezas, mesmo com medo, mesmo devagar — não é fraqueza.
É coragem em estado bruto. E isso, por si só, já é motivação suficiente.

Mensagem do Autor:

Leituras que me acompanharam

Abaixo, compartilho alguns dos livros que me ajudaram a expandir a mente e a mudar a forma como enxergo a vida.
Para quem prefere ler em português, deixo as versões em PT-BR.
E, para aqueles que gostam de ler no idioma original, como eu, também indico as versões em EN-US.

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